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Promessa do Coração

Atualizado: 10 de out. de 2025

Eu era um piloto experiente, mais de 30 anos de profissão, e como tal, já havia perdido amigos em acidentes aéreos, sendo que, um deles, era meu irmão...

Fiquei traumatizado, após o vôo dele se acidentar, sem motivo aparente, levando a vida de quase 150 pessoas.

Mas essa não foi a pior parte...

Após meu tempo de luto, reavaliação e liberação para pilotar novamente, recebi um chamado de vôo doméstico...

Havia boatos que partes da aeronave do acidente de meu irmão, estavam em bom estado de conservação, foram reutilizadas na manutenção de outras aeronaves da mesma linha.

E eu, pegaria uma delas, logo de cara.

Mas boatos são boatos, certo?

Não representam a verdade... Pelo menos, não todas às vezes.

Entrei na cabine e vi o copiloto sentado em meu lugar, ia questionar, mas uma das comissárias me cumprimentou e veio mostrar as fotos de seu filho, uma cordialidade normal para quem trabalha junto por muito tempo...

Me afastei só um segundo, e, quando voltei, a cabine estava vazia.

Ignorei e fiz a checagem padrão...

Quando já estávamos no meio da viagem, ligamos o piloto automático e o copiloto foi contando do seu marido, comissário de bordo que estava no mesmo vôo, e que, quase se atrasou por causa dele.

Estranhei e perguntei do ocorrido.

Ele disse que não esteve ali, antes que eu chegasse...

Meu sangue gelou...

Quem era aquele na cabine?

Um sabotador?

Outro piloto que confundiu a aeronave?

Eu não sabia, até aquele momento...

Nada estava fora do normal, então, seguimos viagem...

Inesperadamente, os motores perderam força e nós assumimos o controle para evitar um acidente.

Dali em diante, não lembro de nada...

Chegamos em segurança ao aeroporto e assim que todas as pessoas haviam desembarcado, o avião se despedaçou como um castelo de carta no vento...

Fui condecorado como herói, por aquele dia...

Mas, o que me intriga é, o fato que o copiloto me contou depois.

Eu não estava naquele avião, era meu irmão quem pilotou e salvou nossas vidas.

Ele viu e reconheceu, pois já havia trabalhado com ele inúmeras vezes...

Não sabia como, nem explicar, mas que ele me deixou uma mensagem.

Pediu para ele, me falar que promessas entre irmãos, a morte não pode quebrar...

Sim, quando crianças, ele prometeu me salvar,

sempre que o perigo me rodasse,

ele,

como irmão mais velho,

iria de mim, cuidar.



 
 
 

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São Paulo, SP - Brasil

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